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Meditando em João
Por Pastor Carlos Puck   
28 de março de 2009

O evangelho de João é cercado de riquezas que nos encantam os olhos. É um conteúdo de profunda elevação espiritual, onde o próprio Jesus, diferentemente dos outros evangelhos se apresenta mais claramente e de forma muito clara como sendo Ele a reposta divina para as questões humanas.

Cercado de filosofias e tipos da sua época, o evangelista concebe termos que empatam com a riqueza da mente de seu tempo, como o logos encarnada, um verbo, letra, palavra que toma forma. Esta incorporação de uma letra em carne toma seus rumos e cerca-se de termos como Caminho, Verdade e Vida.

O Verbo agora recebe tensão substantiva de elementos que definem bem na mente dos homens quem de fato era o Filho de Deus. Não poderia ser mero Verbo, sem força de uma vida. Isto já existia na mente dos homens bem claro. Homens que se intitulavam por deuses, por sobre-humanos, com o poder de mudar realidades.

E João vem com o poder de um trovão e a doçura de uma flor tecer nas Palavras do Senhor a ternura de quem Jesus representava: o Deus vivo. Era não mais um porta-voz, como profetas anteriores, mas o resultado daquelas anunciações. Nele apontavam a realização de todos os verbos e versos compostos no passado. Ele é o Verbo. Ninguém mais o anunciaria das maneiras que os profetas e evangelista João (profeta neo) encerrava. As vozes do passado se cumpriram.

Observando a força das palavras que o capítulo apresente observamos que a fé estava sendo centralizada agora como foi no livro aos Hebreus. Crer em Deus era entender e crer no Filho. Abre as cortinas do capítulo com esta ênfase.

O interessante é que Jesus enfatiza algo que dá movimento: caminho. Ninguém que busca uma direção pode ficar parado. Ele se apresenta não como uma resposta somente, mas como o local onde todos podem trafegar. Mas todo caminho leva a algum lugar. Não existem estradas sem começo e destino claros. E ali estavam as moradas celestiais que Ele mesmo preparou para os seus amados. Era interesse da pessoa de Cristo apontar um local de descanso para estes que haviam de se cansa no meio de sua caminhada. O tão afamado shabat, símbolo do repouso divino e tão sustentado pelos mandamentos de Moisés. O descanso era a direção do caminho a ser trilhado. Não era um lugar de cansaço ou morte ou tristeza. Era o fim de todas as coisas a seu tempo.

Era animadora e ao mesmo tempo confusa, pois nenhuma pessoa gosta de despedidas e de falar de morte ou partida. E Jesus tinha esta necessidade, dada a certeza de que seu tempo era curto e se cumpriria em breve.

O existencialismo poderia ser a tônica do Senhor. Ele poderia inclusive migrar para idéias do tipo aproveite sua vida, curta-a, pois tudo passa. Vai faz o que der na sua cabeça e saiba que tudo tem um fim mesmo. Aproveite a sua vida. E de fato não fugira de uma tônica similar a de Salomão.

Mas não. Jesus queria que o seu seguidor tivesse a mente limpa para entender qual seria a relação das palavras de João com o logos encarnado e as definições de si mesmo, de qual seria de fato a carreira de cada um e onde esta carreira daria. E Ele precisava se apresentar em definitivo.

No verso 7, existe um questionamento relacional, de conhecimento entre dois parceiros que no findo não se conhecem, ou que se há conhecimento, é só de uma parte. Prova da insensatez relacional é Felipe de repente com uma questão perdida (na sua mente importante, mas que não valorizava quem de fato estava ali): “mostra-nos o Pai”. Mais grave é com se alguma pessoa dissesse: se nos mostrar o Pai, nem se preocupe. Você se torna dispensável. Vejam que séria esta solicitação de um companheiro íntimo. É como se o que Jesus pensava e tentava apresentar ali fosse lançado por terra e tudo se resumisse na existência de outrem.

Temos que deixar clara a idéia de que Jesus realmente queria que o Pai fosse conhecido, mas veja os elementos textuais... Eles nos dão a clara intenção de Felipe: ”Isso nos basta”. É uma expressão muito forte, pois Jesus estava abrindo seu diálogo dizendo: “credes em mim, credes em Deus”. A segurança não era percebida pelos seus amados ouvintes. Impressiona-me isto. Ainda que sejamos todos humanos suscetíveis a este tipo de sensação mental.

Um diálogo no mínimo intrigante: “estou há tanto tempo com vocês e você ainda diz isto?” (v.9).

Que conhecimento era aquele que Jesus esperava que tivessem dele? Por tantos meios Jesus se expressava. Os profetas ainda o diziam. Apareciam tantos que sem ao menos andarem tão próximos, entendiam de uma vez. Vejam que a mulher samaritana quando o tem por perto sabe do seu judaísmo, de sua conduta profética, de sua linha doutrinária... Mas ao mesmo tempo percebe que era alguém muito especial, que se envolvia, que dava atenção. Quebrar os paradigmas poderia até ser uma forma. Mas era o menor. Jesus queria estar perto, fazer com que a pessoa o sentisse, fazer com que a pessoa, embora desprezada pelo longo viver, agora tinha um espaço e um novo sentido... O que nos leva de fato ao termo “CAMINHO, VERDADE e VIDA”.

Num dado momento Jesus explicita a inserção do personagem “príncipe deste mundo”.  Esta manifestação seria também uma forma de dizer que o tempo estava cumprido, que seu tempo com os seus estava se esgotando. Numa forma de manter ainda o contato com os seus amados, ele os convida para que saiam rapidamente do local onde se encontravam (v-31). Medo? Desejo de melhor aproveitamento do tempo com os seus. Difícil nos dias atuais. Difícil naqueles tempos. Normalmente perdemos tempo ou o gastamos com teses que não serão sustentadas por longo tempo ou que não terão efeito para prazos quaisquer. Assim, o que Jesus via era que o tempo pouco que lhe restava deveria ser investido com presteza e com algo que fosse duradouro.

O que de fato significa para os homens saber que Jesus é o “CAMINHO, a VERDADE e a VIDA”?

O Senhor apontava todo o tempo da necessidade de um caminho para as pessoas. Ele estava sempre a caminho. Sempre tinha um rumo. Ele sempre era seguido. Assim, era pertinente que ao invés de delírios humanos por possibilidades Jesus ampliasse a sua relação de ser Ele mesmo a trilha a ser seguida. Não era apenas o Mestre amado. Era o caminho. Este caminho levava para o Deus único e poderoso que tanto ouviram e queriam. Pediam: “mostra-nos o Pai” e ao mesmo instante, Jesus se mostrava como sendo o link perfeito para aquela realidade e direção. Apontar é o mesmo sentido de mostrar. Quando um ser humano pega uma arma para atirar num alvo, ele deve ter em mente o que quer acertar. Não pode errar. Assim, tendo um alvo, pode-se admitir uma direção, um caminho para se trilhar. Andar por um caminho certo é ter certezas e convicções. E a intencionalidade do texto exposto por João, a nos iluminar a mente, faz com que entendamos porque Jesus se intitulava como sendo o CAMINHO.  Ir ao pai. Mostra-nos o Pai. É o mesmo peso exegético. Eles queriam tanto e estava bem ali na sua frente. O caminho ao Pai. Era Jesus a representação máxima da presença de Deus entre os homens. O Verbo, lá do começo, que se fez carne, era também o elo entre Deus e os homens.

Mas percebemos que Jesus, além de se chamar de CAMINHO, também dá a si mesmo o caráter de VERDADE. Isto nos remete a pensar que toda a inspiração da Palavra migra, converge nele. A Verdade é Ele, Jesus e se Ele é a Verdade, então o Verbo, a Verdade é única, é Ele. O Verbo agora toma o recurso de ser a única voz que ecoaria no coração dos homens e que daria uma cor real ao que estava sem matizes de vida.

Jesus, a Verdade. Verdade envolve o conhecimento de algo exato. No caso, envolve o conhecimento prévio de Deus. Mas acima de tudo, está o emparelhamento de duas pessoas da trindade: o Pai e o Filho. Se o Pai é a Verdade, Jesus também o é, PIS quando mostra o Pai, Ele mesmo se apresenta como tipo do Deus que ninguém nunca viu.Veja (v.7): “Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto”.Verdade envolve este conhecimento. Envolve fé. Porque se criam, veriam suas obras como do Pai. E no verso 10: “As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras”. Se isto não fosse possível, esta frase seria uma grande mentira. E Jesus disserta aos seus acerca desta sua ligação profunda com o Pai. Isto fazia dele a Verdade. Isto o tornava capaz de ser imagem perfeita do Deus vivo, agora encarnado em Seu Filho Jesus.Por isso como Corpo de Cristo que somos temos que entender que esta Verdade envolve a pessoa de Cristo e de sua Palavra, como inerrante e perfeita, sem necessidades de acréscimos. É completa em si mesma, assim como Cristo o é, pois ela aponta totalmente ao Verbo que viria como Messias. Poderia Jesus afirmar, sendo pecador, que era a Verdade, se não tivesse em si mesmo a força do pão que desceu do céu, ou da água que mataria para sempre a sede? Claro que Ele é a Verdade e pode afirmar isto de si mesmo.Crer em Jesus como Verdade também faz conter um mistério de relacionamento com seu povo: seu povo faria as mesmas obras que Ele fez (v.12). Crer Nele como Verdade era por em prática atos importantes como os que Ele mesmo manifestou. E tudo em função do próximo. Pois nada do que Jesus fez, foi pensando em si mesmo, mas que os homens glorificassem o Pai através do poder do próprio Par e assim, eles mesmos fossem representantes deste Deus poderoso quando da subida do Filho.Mas Verdade ainda envolve amor. “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (v.15). Porque se amar a Deus é relacionar-se com o próximo beneficiando-o com a presença de Cristo em cada um dos que o seguiam, ainda envolveria uma relação com seus mandamentos. Eles se tornariam guia ou aio. E é interessante entender que a Verdade agora manifesta em Mandamentos se mostra como Caminho. Veja que tudo acaba se misturando numa essência só: Jesus. Amor e conhecimento, fé e prática. Tudo apontando para o CAMINHO e a VERDADE.Mas sendo Jesus o CAMINHO e a VERDADE, que fundamentava a existência humana, qual seria o benefício destes atributos ao homem? Afinal, qual dos seres humanos, desde Adão e Eva que não se preocupa com o viver?Pois bem. Aqui está para onde apontava o Caminho também: para a VIDA que Jesus poderia gerar. Pensemos no primeiro casal. Almejou, o primeiro Adão a vida, quem sabe dentro de sua mente, o viver para sempre. Mas na realidade, com sua ação abrupta e errônea, conquistou apenas a morte. Gerou a morte para a humanidade.Enfim, Deus torna seu filho que causaria a Vida Eterna aos homens. Mortos, perdidos teriam a oportunidade de reconhecer em alguém a origem da VIDA. Jesus, Ele mesmo, se chamava por VIDA. O que crer terá a vida. O que não crer já estaria condenado. Ou seja, a importância de Jesus não para somente na VERDADE que Ele é e nem no CAMINHO para trilharmos... Mas é o começo da Vida e o caminho por onde andaremos para alcançar a vida.Assim, temos que entender e assumir que fora de Jesus tudo o que pode se manifestar como doador da vida é mentira e não procede de Deus. Ele diz no verso 19 que “porque eu vivo, e vós vivereis”. Ele vive e gera a Vida. Ali, também já apontava para sua ressurreição. Os saduceus teimavam em desabilitar Jesus desta possibilidade no passado, mas era pré-requisito se crer na ressurreição como critério da salvação. Consequentemente, na história da humanidade todos os que pregaram contra esta Vida (ressurreição do Senhor) se perderam certamente. Não alcançaram a bênção da salvação (Mc. 12.18).Homens como este não só questionavam a Jesus, mas o punham à prova, frente às multidões, para constrangê-lo e fazer-se negar em sua própria palavra. Mas como poderia ser pego em mentira se Ele mesmo se chamava de VERDADE? E como fazê-lo tropeçar se Ele mesmo era o CAMINHO? E como negar-se a si mesmo, sendo Ele a VIDA?Ainda que homens tentem mudar esta tese, jamais conseguirão, porque não se tratar simplesmente de palavras ditas por homens, mas estava nos lábios do Senhor. E se de seus lábios procediam era porque nos céus se originavam, pois Jesus diz que tudo o que pregava e fazia, não seria feito se pelo Pai não lhe fosse dado. Assim, como seus eleitos.A Vida que Jesus menciona aqui ainda envolve morte. Se Ele não morresse, não teria a sobrevida vitoriosa sobre o madeiro e os pecados. Ele envolveu em sua morte a nossa morte. Clara fica a idéia que em sua ressurreição Ele mesmo nos ampara para a vitória sobre a morte.Bela obra realizou o Pai através do Filho.Mas que dimensão toma esta obra se não a chamarmos de obra de amor. Obra esta que traça o destino (CAMINHO) a todos os eleitos. Traça uma VERDADE imutável e mergulha-nos na mais bela ação do Pai sobre a humanidade: gerar de novo a VIDA onde havia sido plantada a morte.E satanás e os seus defeituosos anjos nisto são julgados e derrotados, pois vindo para matar, perdeu; vindo para roubar, perdeu; e destruir, perdeu também. Para quem foi esta derrota senão na pessoa que rejeitou suas ridículas propostas de prosperidade, domínio e poder, Jesus, o Cristo. Emanuel, o Deus conosco. O Messias, rei dos Judeus, zombado por alguns e amado por outros. Aos que creram, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus. Os que creram em seu nome.Mas para completar, Jesus diz que ninguém irá ao Pai se não for por meio Dele.Isto mesmo. Ninguém será caminho, verdade e vida. Somente Ele. Aqui Jesus põe ponto final em todas as possíveis pessoas que desejariam chegar-se a Deus por obras ou atos seus, sem contar com Ele. Jesus agora aponta para a incapacidade humana de poder se achegar a Deus.Nenhum homem poderia dar este passo. Caem por terra todas as teorias de sinergismo. Iniciativa de Deus e com Jesus. Puro monergismo. Não há cooperação humana de nenhuma forma. Saber que ninguém terá acesso ao trono celestial sem Jesus traz-nos a segurança cada vez maior de que Ele é a VERDADE e o CAMINHO.Ele relaciona a não orfandade (v.18) de sua presença agora com a terceira pessoa da trindade, o Espírito Santo. Veja os versos 16 e 17: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós”.O Consolador agora entra como o que nos encaminhará ao conhecimento do CAMINHO e da VERDADE, para que alcancemos a VIDA. Alcancemos nosso conhecimento de JESUS. Alcancemos nosso amor e fé naquele que é capaz de gerar a eternidade positiva em nossos corações e nos dar plena convicção de que esta Verdade não nos pode ser furtada pelo ladrão e enganador. Ele viria a nos tentar á apostasia, mas as suas garantias ruiriam como pó, pois a segurança do povo de Deus está Nele mesmo e na pessoa e obra de Seu Filho amado, que quem Ele se compraz.Caminho exige movimento.A tração para esta caminhada é a Verdade.E o final da estrada é a Vida.Tudo e todos com a pessoa de Jesus. Ele é a nossa segurança e passaporte para o Pai. Por isso nos apeguemos a Eles com a convicção de que o tempo está passando e quando mais nos afastarmos de Jesus, mais longe estaremos de Deus Pai. Se cremos que todas as coisas foram criadas por Deus, e em Jesus convergem tudo o que foi criado, então devemos tomar consciência desta necessidade da Vida de Jesus manifesta em nós e através de nós.Devemos obedecer às ordens do Senhor como inerrante proposta para nossa estada neste mundo. Senão perdemos nossa função e tempo.Que o Senhor (CAMINHO, VERDADE E VIDA) nos ponha no prumo certo desta estrada.Amém.Quinta-feira, 26 de março de 2009, 05h01min. 

·         Temos que ter em mente que nosso tempo se acaba.

·         Conhecer tem que ter envolvimento profundo, olhar nos olhos.

·         Jesus foi o maior modelo de envolvimento com o outro.

·         Não condenava, mas gerava a vida.

·         Não atirava a pedra antes, mas ouvia  a todos.

 
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